quarta-feira, 11 de janeiro de 2012

SEM REMORSOS

Gostaria de ser estática, planejada como uma cozinha modulada, mulher de cama, mesa e banho, para a vida toda. Gostaria de ser mansa, cordata, calma e plácida. Penso talvez, que a vida assim seja mais branda com que é sereno.
De dentro do castelo de loucuras que é a minha cabeça não há um único dia em que eu não tente domar o animal arisco que habita em mim, não se passa um dia sem que eu me questione...
Mas quanto mais o tempo passa, menos mansa eu me torno e isso nada tem a ver com agressividade, essa tal eu  aprendo todos os dias a deixar adormecida.
Tem a ver com alguma coisa mais profunda, quanto mais eu me calo, quanto mais meu tom de voz diminui, maior é a minha vontade de mudar, de fazer tudo diferente, de me mover. O meu lugar não pode ser apenas esse, já disse, cama, mesa e banho me parece tão pouco e ao mesmo tempo tão seguro...
Manter minhas asas sobre controle está se tornando uma violência, preciso de mais, preciso de mais ar, de mais cor, de mais risos, de mais músicas, de mais, mais, mais.
Hoje li uma frase de Rubem Braga que diz: ‎"Quem viveu a vida sem se poupar, com a ALMA e o CORPO, e recebeu todas as cargas em seus nervos pode conhecer (...) essa vaga sabedoria animal de envelhecer sem REMORSOS." 
Já começo a não me preocupar com quanto será gasto, quanto vou perder, quantos pedaços vão faltar, começo a mudar.

sexta-feira, 6 de janeiro de 2012

SOBRE CIGARROS, EMOÇÕES E BALÕES DE GÁS

Conversando aqui e acolá (meu hobby predileto), percebo que as pessoas se casam pelos mais variados motivos: por segurança, pela pessoa certa, por medo, por questões financeiras, para esquecer outras pessoas. Eu me casei exclusivamente por amor, apenas por isso. E quando observo motivos e comportamentos tão diversos em relação ao casamento, me sinto uma heroína de filmes antigos. Casei por amor e nada mais.
Noves fora, estava conversando com meu marido sobre a possibilidade de eu largar o cigarro. Eu lhe dizia que fumar era o meu último ato de rebeldia, ao que ele me rebate: "mas porque ser rebelde, você não tem mais 16 anos?" E curto e grosso, não é que ele tem razão?
A conversa girou em torno de grandes emoções e eu com essa alma cheia de fantasia desatei a falar sobre como eu gostaria de ainda ter fortes emoções em minha vida, nadar com os tubarões e coisas de tipo. Ele disse que não. Retruquei: "como assim? nascimento de um filho, minha formatura, comprar uma casa nova, fazer uma puta viagem?" E mais uma vez, aquele por que eu casei por amor me disse: "Esse tipo de emoção eu quero, são emoções normais".
E eu tive que enfiar minha viola na sacola e admitir de que grandes emoções são coisas mundanas, aceleram o coração por um tempo e depois a vida segue e as contas chegam e precisam ser pagas.
Ele me ensina que a vida é mais simples, que ela simplesmente anda, que não existem tantos motivos para me exasperar e que rebeldia é um conceito muito mais amplo do que jaquetas de couro e cigarros.
A imagem que me veio a mente foi de que sou um lindo balão de gás hélio, que flutua, que brilha, mas se meu querido não segura a cordinha me perco dentro desse céu imenso que é a minha cabeça.
Foi por amor e só por isso que me casei.

sábado, 31 de dezembro de 2011

O QUE VEM A SEGUIR...

O medo se dá por não saber o que vem a seguir. Não ter certeza de nada aos 32 anos é realmente assustador. O que eu poderia esperar também? Jamais me imaginei com essa idade. Quando criança, nunca fiz planos para o futuro, nem imaginei como estaria agora. O meu presente quando criança era tão tão cheio de obstáculos (imaginários e reais) que diariamente me achava matando um leão por dia. Aquela dorzinha no estômago que até hoje me persegue...
Engraçado ouvir das pessoas que fui um bebê calmo, que não chorava e também uma criança espirituosa e cheia de graça. Deus sabe a que preço passei essa imagem. Essa habilidade de me adaptar me custa hoje a paz de espírito.
Me encontro no final desse ano sem saber quem sou e o que será da minha vida em 2012. Mas afinal que sabe? Aprendi a dosar os planos que faço com as promessas de um fracasso retumbante. Vou vivendo assim, um pé em um futuro brilhante e outro no maior dos fracassos.
Não tenho controle do que pode me acontecer, não tenho controle sobre nada. Mas acho que ninguém tem controle sobre nada. Eu apenas lido com a certeza disso. E com a certeza de que aconteça o que acontecer todo o resto vai funcionar sem mim.
Pesado isso? Talvez. Mas sinto que nunca será pesado demais para que eu carregue.
Para a virada já comprei meu vestido branco, minhas unhas são pretas e verdes, o cabelos até o momento permanece loiro, jamais serei comum, ter uma vida sem grandes sobressaltos não é mais possível.
Sou essa confusão de sentimentos, sou reticências, nunca um ponto final.

quinta-feira, 29 de dezembro de 2011

O HOMEM DA MINHA VIDA

Ele tinha seis anos quando eu nasci. As fotos e depoimentos de todos da família relatam que ele era só felicidade  quando cheguei. Sem o ciúmes que já é comum entre irmãos.
Pois ele é meu irmão e já nasceu diferente pela capacidade incondicional em me amar. O que esse menino viu naquele bebê cabeludo, um mini lutador de sumo eu não sei.
Sei que desde que me entendo por gente, nele vi meu HERÓI, com todas as letras maiúsculas, porque ele sempre foi e sempre será.
Porque foi meu herói que passava a noite me dando a mão porque eu tinha medo do escuro, foi ele que cuidou de mim quando fui pega pela catapora, caxumba, rubéola... E não pensem que cuidava assim, assim cuidava muito bem. Ele tinha 11 anos quando ficou responsável por mim, por me levar para a escola, por fazer maria chiquinhas nos meus cabelos, ele tinha apenas 11 anos e já agia como um homem. E quando nossa mãe se foi era ele quem estava ao meu lado, me contando da maneira mais delicada que alguém poderia fazer. Eu não soube consolá-lo quando aconteceu com nosso pai.
A responsabilidade por mim ele jamais abriu mão. Esteve comigo em todos os momentos, me apoiando e tomando para ele todos os meus cuidados.
Somos apenas nós dois agora, tão diferentes e tão unidos e saber que o tenho por perto alivia minha dor no peito. Meu amor por ele é tão grande, mas tão grande que quando penso nele, esse amor não me cabe e eu sempre choro. Jamais nessa vida vou poder retribuir tudo que ele fez por mim.
É sempre ele que quero por perto, quando me casar quero ele e somente ele para entrar na igreja, quando me formar nessa faculdade é o rosto dele que quero ver na multidão, ele é meu porto seguro, minha rocha e é a ele a quem dedico todas as minhas vitórias.
Certa vez uma amiga da minha mãe escreveu que o nome dele era a junção de Mar e Rio e havia um lindo poema sobre isso que infelizmente não me lembro. Mas existe uma definição não tão poética mas que faz jus a quem você é: Mario quer dizer homem por excelência. Um HOMEM, meu amigo, meu herói, meu irmão Mario. Para o homem da minha vida, o que tenho de melhor... as palavras que saem do meu coração.
Com Amor, da sua Yki.

terça-feira, 27 de dezembro de 2011

VAMOS ACOMPANHAR

" O futuro já começou" diz a musiquinha na TV. Ouço uma freada de caminhão... Para tudo.
Deu medo, deu cagaço para ser bem exata. Pela primeira vez temo pelo tal do futuro.
O que será de 2012? Amor, trabalho, dinheiro, planos. Tô com medo, segura a minha mão?
Não sei lidar com medo, como é que faz para não paralisar? Porque veja bem: minhas mãos estão trêmulas, meu coração acelerado com a perspectiva do amanhã.
Nunca aconteceu, mas gostaria de mais alguns dias para poder ficar aqui no meu casulo, vendo a vida pela janela.
Vamos devagar com esse futuro, vamos na boa com esses planos, devagar, devagar... Complicado ficar no limite do pânico. Como diz uma grande amiga, vamos acompanhar o que significa esses fenômeno.
Mas vamos acompanhar com calma.

quinta-feira, 15 de dezembro de 2011

O DNA DE MARIANA

Hoje acordei totalmente crescida, 100% adulta. Hoje você não está mais aqui, ontem você decidiu que já era hora de tirar o time de campo e se foi. Eu estava lá na porta do hospital e você sabe disso, né? Eu sei que sabe, pois senti que você está ao meu lado o tempo todo.
Tenho em mim tanto do seu DNA que consigo compreender sua escolha. Durante toda a minha vida o que aprendi com você foi lutar, ser forte e recomeçar e ontem Zé, aprendi que existem momentos (poucos) onde é preciso deixar a batalha e descansar. 
Ontem com o coração na mão, as lágrimas saindo descontroladas, eu ouvia sua voz me dizendo para ser forte, ser forte, ser forte. E eu fui, eu resolvi o que podia, eu chorei o que aguentava, fumei mais do que devia e assim como você me ensinou não me entreguei.
Agora o que restou foram os ensinamentos. O que posso lhe prometer?
Que serei sempre honesta, que todos os dias em que estiver nas aulas de direito vou me lembrar de você me dizendo que nasci para ser advogada. E serei a melhor. Como você me ensinou. Serei sempre sincera, porque você abominava a falsidade. Serei sempre crítica, porque o conformismo é uma merda. Que falarei menos palavrões, porque você odiava. Que vou tentar novamente parar de fumar, porque você me pediu para tentar. Que vou tentar comer mais frutas, porque você sempre disse que é bom para a saúde.
E para lhe dizer, o que eu tenho?
Que as mágoas que tenho são superadas por tudo que você me ensinou de bom. Grandes lições que me ajudaram e me ajudam até hoje a ser firme, forte e lutadora. Porque eu gosto de ser assim, porque seu DNA sempre vai estar em mim. 
Você sempre adorou a maneira como escrevo e hoje a melhor maneira de te homenagear é com palavras.
Sei que hoje você sorri e sendo assim eu também estou sorrindo.

terça-feira, 6 de dezembro de 2011

BOM HUMOR...

Uma amiga e xará, Mariana Lara, me perguntou dia desses de quem eu havia herdado meu bom humor.
Aspas aqui para dizer que meu humor beira a falta de noção com toques de humor negro. Não me contenho diante de situações que beiram o limite do trágico: velórios, tombos, chutes da bunda, falências em geral... e por ai vai. Que fique claro: na maioria das vezes eu tiro onda das minhas desgraças, com a dos outros consigo ter mais tato.
Voltando, do meu pai herdei meu lado crítico, cri-cri mesmo e da minha mãe meu lado criativo, viajandão. O bom humor eu aprendi a ter vivendo. Passei por coisas tão bizarras na minha vida, ouvi tanta merda, tomei tanto olé que rir me manteve sadia. "Ou ri ou joga o secador na banheira minha filha!", lembrei que nunca tive banheira....
E até hoje o que faz com que eu siga em frente é o firme propósito de ser feliz. Dá para ser feliz sempre? Não, não dá, mas eu não passo um dia sem sorrir, e não é sorriso amarelo não, é risada mesmo, arreganhando os dentes para o mundo ver.
Foda-se o que passou, o que já foi eu transformo em piada, porque eu acho de uma chatice, falta de educação até, ficar chorando pitangas passadas. Se é para chorar, chore a pitanga presente, a de ontem faz um suco e chega.
Enquanto escrevo este post um sorrisinho já habita o canto da minha boca, porque veja bem, se eu morro e reencarno minhoca??? Vou rir do que? De comer e cagar terra? Faz favor...
Tenho casa, comida, amigos, amor, saúde, educação. Tenho também problemas, raivas, falta de grana, dor de dente e dias de mimi, mas não dá para levar tudo a sério, muito menos me levar a sério.
No mais, reza a lenda que sorrir previne rugas, hipertensão, infartos e o toda a sorte de coisas que deixam qualquer pessoa carrancuda.
E você...


já sorriu hoje?